Ensinar e aprender com as TIC

Canaltic.com é um blogue espanhol dentro do espírito do que é o “professortic.ml“. Da autoria do professor Fernando Posada Prieto, o blogue mostra, publica e divulga com regularidade ideias, sugestões e reflexões sobre as TIC em contexto educativo.
Com a devida autorização do autor do blogue, traduzi e adaptei um interessante trabalho intitulado “Enseñar y aprender con las TIC“. São pouco mais de 80 slides que, de forma esquemática, sucinta e objetiva, nos levam numa viagem sobre o tema.

Esta apresentação pretende expor as tendências e experiências das TIC na atualidade. Partindo de uma breve análise do contexto académico propõe-se caminhar sobre as ferramentas e propostas de trabalho mais utilizadas. Tendo em conta um panorama tão vasto, denso e variado, sugerem-se algumas conclusões finais potencialmente úteis para a prática docente quotidiana.

http://www.professortic.ml/wp-content/uploads/2013/05/Uso_das_TIC_no_Ensino.pdf



Ligação: Canaltic.com

“Usar a tecnologia” ou “integrar a tecnologia”?

Usar ou integrar a tecnologia na prática doente é uma algo de tão potencialmente relevante como a velha questão de Shakespeare: “be or not to be”. Na verdade, a impressão que temos é a de que, apesar de se falar muito em integração da tecnologia, o que está a acontecer nas nossas escolas é apenas e simplesmente a utilização da tecnologia. Não, não é apenas uma questão semântica. Há uma grande diferença entre estes dois conceitos com impactos distintos consoante se utilize a tecnologia ou se opte pela sua integração nas práticas letivas.
Em última análise, e antes de verificarmos alguns pontos de diferenciação, coloquemos a questão nestes termos. Uma coisa é uma casa tecnológica outra é uma onde se utiliza a tecnologia. Apesar de todos já utilizarmos alguma tecnologia nas nossas casas, isso não faz das mesmas uma “casa inteligente”.

Recorrendo a algumas sugestões encontradas na web e a uma reflexão pessoal, elaborei o quadro que se segue assinalando as principais diferenças entre uma prática que utiliza a tecnologia e outra que a integra. Se é claro que , pelas mais diversas circunstâncias, não é fácil criar as condiçoes necessárias para potenciar a integração das tecnologias no processo de ensino-aprendizagem, torna-se evidente que há que, rapidamente, passar da fase utilitária e dar o salto para a integração.

Com o mundo a acelerar, não é já uma necessidade. É uma exigência. Quem não o fizer, ficará, com toda a certeza, para trás.

 

A utilização da tecnologia

A integração tecnológica

A utilização da tecnologia é aleatória, arbitrária e muitas vezes funciona apenas como um complemento. O uso da tecnologia é propositado e intencional.
A tecnologia rara ou esporadicamente é utilizada na sala de aula.  A tecnologia faz parte da rotina do processo de ensino-aprendizagem.
A tecnologia é usada apenas para se dizer que se está a usá-la. A tecnologia é utilizada como suporte dos objetivos curriculares e de aprendizagem.
A tecnologia é usada para instruir os alunos sobre o conteúdo. A tecnologia é usada para envolver os alunos com o conteúdo.
A tecnologia é mais usada pelos professores. A tecnologia é mais utilizada pelos alunos.
A única preocupação é utilizar a tecnologia. O seu uso visa criar e desenvolver novas capacidades.
Muito tempo é perdido a ensinar como é que se deve utilizar a tecnologia. O tempo é gasto a utilizar a tecnologia para aprender.
A tecnologia é utilizada para completar as tarefas de menor exigência intelectual. A tecnologia é usada para incentivar o desenvolvimento intelectual.
A tecnologia é utilizada em tarefas individuais. A tecnologia é utilizada para facilitar a partilha e colaboração do trabalho dentro e fora da sala de aula.
A tecnologia é usada para facilitar atividades cuja resolução seria mais difícil sem ela. A tecnologia é utilizada para resolver problemas que de outra forma seriam difíceis ou impossíveis de resolver.
A tecnologia é usada para fornecer informações. A tecnologia é usada para aumentar e construir conhecimento.
A tecnologia é marginal à aprendizagem. A tecnologia é essencial no processo de aprendizagem.


III Jornada Educação à Distância: o futuro da arte

O inevitável encontro entre educação e tecnologia estará em debate no próximo dia 6 de Abril na Universidade Anhembi Morumbi, São Paulo, Brasil, na III Jornada Educação à Distância, subordinada ao tema “O futuro da arte”.

Este evento, organizado pela Artesanato Educacional e coordenadado por João Mattar, vai reunir especialistas no uso de tecnologias na educação e ensino à distância.

“Onde estamos e para onde caminhamos em Tecnologia Educacional e Educação a Distância? Redes Sociais, MOOCs, Tablets, Mobile Learning, Design Instrucional, Marketing de Busca, SEO, SEM, TDICs, Linguagens Líquidas, Educação Ubíqua, PLEs e Formação de Professores, dentre outros temas, serão debatidos por você e pelos principais especialistas no Brasil.”
O desafio não é simples mas exige respostas. Respostas que se esperam sejam dadas pelos contributos dos professores, educadores, estudantes, profissionais da area informática, gestores e todos os que se interessam pelo tema, público alvo da jornada.

Talk show

O evento não se resumirá à tradicional modalidade da palestra. Adotará o talk show como forma de socializar o conhecimento. A ideia é promover um cara a cara entre alguns dos maiores pesquisadores brasileiros em tecnologias aplicadas à educação, a exemplo de Lúcia Santaella (PUC-SP e USP), com mais de 30 anos de pesquisa na área de comunicação e semiótica, e João Mattar, um dos maiores especialistas brasileiros em agitação e articulação de redes sociais. Durante o talk show, será feito um retrospecto da carreira de Santaella, com provocações teóricas a respeito de seus principais conceitos como o de linguagem líquida e da possibilidade de, por meio das redes sociais, tornar a educação omnipresente.
Mattar falará sobre os desafios para uma incorporação bem-sucedida dos jogos e das redes sociais nos ensinos fundamental, médio e superior, bem como no âmbito empresarial. Refletirá ainda sobre os procedimentos e implicações dos cursos online abertos para públicos massivos, fenómeno que começa a ganhar espaço no Brasil.
A participação no evento é paga. Todavia, os interessados poderão seguir a jornada através das redes sociais, nomeadamente do Facebook e do Twitter.

Ligações:

A Educação nos EUA e no mundo

Qual a relação entre o investimento em educação e os seus resultados?
Não há fórmulas mágicas, no entanto, o quadro que a seguir reproduzimos, poderá ajudar-nos a ficar com algumas ideias para saber o que se faz pelo mundo. A infografia revela vários dados nessa relação de dependências variáveis que poderão dar algumas pistas, à considerção de cada um.
São comparados 12 países, mostrando o que cada um gasta em educação, quanto cada um gasta em cada criança ou educando, e alguns resultados desse investimento.
Como é facilmente verificável, não é linear a relação entre investimento e resultado final. Muito há que fazer, tanto nos países que mais investem, como naqueles que têm menos recursos.
Vale sempre a pena dar uma espreitadela.
U.S. Education versus the World via Master of Arts in Teaching at USC
Via: MAT@USC | Master’s of Arts in Teaching

Educação: 12 questões para o século XXI

Os conceitos de aldeia global e de um mundo plano já não são princípios arcanos nem metáforas saídas da cabeças de estudiosos e académicos. O aquecimento global deixou também de ser uma questão ideológica a marcar qualquer agenda política. Estas questões são tão atuais como a segurança das nossas escolas ou a pobreza que afeta milhões de crianças em todo o mundo.
Perante estes desafios, qual o papel dos professores, ou melhor, que atitude devem ter os professores para enfrentar os seus desafios com renovado sentido, determinação e esperança? E, acima de tudo, como o fazer na convicção de que somos todos cidadãos deste mundo superlotado que requer de todos nós, sem exceção, solidariedade, empenho, compreensão e entrega?
David Penberg é um conhecido professor e consultor educativo de diversas organizações internacionais, que coloca 12 perguntas que são, ao mesmo tempo, desafios a quem faz da profissão docente o seu destino.
Com algumas adaptações mas mantendo o espírito original, refiz as suas questões que coloco à consideração dos seguidores deste blogue.

  1. Como podemos cultivar uma mentalidade global na juventude? E por que deveríamos fazê-lo?

  2. Como aproveitar otimamente o imenso potencial da internet e o poder das redes sociais? Como podem estas ferramentas servir o nosso propósito de conexão, saltando por cima de limites e fronteiras, e contribuindo para um mundo mais seguro, são e justo?

  3. Como motivar professores e professoras a porem-se em marcha, a internacionalizar as suas aulas, programações didáticas e práticas docentes?

  4. Porque é que a educaçãoo se converteu na pedra angular da vida democrática?

  5. Quando fizeste uma pausa para refletir sobre os teus preconceitos, suposições ou posições parciais?

  6. Como assegurar que os programas escolares e extra-escolares se ajustam ao dinamismo exigido pela nova conjuntura nacional e internacional, mantendo os jovens ligados ao mundo?

  7. Qual é o nosso motivo pessoal para trabalhar na melhoria e ampliação das perspectivas do aluno, a sua capacidade de recuperação, curiosidade, imaginação, criatividade e trabalho em equipa?

  8. Como aproveitar o talento pessoal de cada aluno, potenciando as suas capacidades?

  9. Por que é urgente tornar a educação relevante e significativa como uma forma de transformar vidas e não como meio de estupidificar-nos?

  10. Como enfrentar positivamente, cada dia, cada passo e cada inovação nas aulas, renovando, desafiando, estimulando…?

  11. Como nos podemos afastar da resposta certa para a capacidade de gerar questões profundas, questionando o status quo, aderindo a um sistema que estimule o desejo insaciável de aprender mais, sempre e cada vez mais?

  12. Como tornar-se poliglota na educação e ensino? Como manipular múltiplas práticas para desenvolver ao máximo o potencial e as inteligências múltiplas dos estudantes?

David Penberg salienta que não há respostas certas a nenhuma destas questões. Há, isso sim, convites para reexaminar tudo. Uma questão de cada vez.

15 coisas que serão obsoletas na Educação até 2020

Os próximos 10 anos serão de mudanças profundas na Educação, a todos os níveis. Nada que tenha a ver com a crise que vivemos, mas com a revolução digital que se acelera todos os dias.
Há cerca de um ano, a escritora Shelley Blake-Plock publicou um artigo no seu blogue Teacher 2.0, intitulado, “21 Things That Will Become Obsolete in Education by 2020”. Mais adaptado à realidade portuguesa, selecionei e adaptei 15 tópicos que vão no mesmo sentido. Talvez ajude a ultrapassar a depressão portuguesa de 2012 e 2013. Sem cinismo.

1. Mesas
O século 21 não se encaixa nada em mesas alinhadas. A educação vai reforçar os conceitos baseados em redes de fluxos, colaboração e dinamismo que vão reorganizar o espaço das aprendizagens, tornando obsoletas as filas de mesas e cadeiras características das nossas salas de aula fabris.

2. Laboratórios de Línguas
A aprendizagem de um língua estrangeira vai estar (já está, para quem quiser) à distância de um smartphone. Mais espaço disponível nas escolas.

3. Computadores
As salas de computadores, muitas vezes encostados às paredes, serão como que peças de museu. Os portáteis, tablets, smartphones e outros dispositivos vão limpar os velhos ecrãs, as torres e os emaranhados de fios. Mais espaço.

4. Trabalhos de casa
A educação será pensada e trabalhada 24 horas por dia, 7 dias por semana. Os limites tradicionais entre a escola e a casa tenderão a desaparecer. Como disse alguém, não precisamos de crianças para irem à escola; precisamos delas para aprenderem mais. A aprendizagem será contínua e em movimento. (ver o ponto 3).

5. Instrução massificada
Nos próximos 10 anos o professor que não souber utilizar a tecnologia para personalizar e diferenciar a aprendizagem dos seus alunos será “carta fora do baralho”. A diferenciação será tão natural como respirar. O professor de massas acabou.

6. Medo da Wikipedia
Wikipedia é a maior força democratizante no mundo actual. Se os professores têm receio em deixar os alunos utilizá-la, está na hora de olhá-la de frente sabendo que com este ou outro nome a Wikipedia vai continuar a crescer exponencialmente. Talvez esteja na hora de cada um também dar o seu contributo.

7. Manuais em papel
Os livros são agradáveis, mas, daqui a dez anos, toda ou quase toda a leitura será feita através de meios digitais.

8. Cadernos, lápis, canetas… papel
Provavelmente não vão acabar, mas com toda a certeza vão diminuir e muito na quantidade. As crianças aprenderão a escrever e a desenhar em dispositivos digitais e a grande maioria dos trabalhos, testes e exames poderão ser feitos da mesma maneira. A floresta agradece. Quem não perceber e se adaptar… desaparece.

9. Pastas
Já hoje, em muitas das nossas escolas, que necessidade têm as crianças e os jovens de andarem com bolsas pesadas às costas com custos associados à sua saúde? Com livros e cadernos digitais… as pastas escolares serão cada vez menos pesadas até desaparecerem. As colunas vertebrais agradecem.

10. Departamentos TIC
Um fim à vista. As TIC não serão uma especialidade. As TIC serão a realidade, as ferramentas essenciais de todos os professores e educadores. Todos os agentes da educação e formação terão competências TIC elevadas. Com a afirmação do “Cloud Computing”, a qualidade e aumento da cobertura sem fios e o acesso via satélite, coisas agora “tão importantes” como software, segurança e conectividade serão coisas do passado.

11. Instituições centralizadas
Os edifícios escolares vão transformar-se em centros de aprendizagem e não em locais onde toda a aprendizagem acontece. Os edifícios serão menores, os horários dos professores e alunos irão mudar para permitir que menos pessoas estejam na escola de uma só vez, abrindo caminho a um ensino mais experimental, vivencial, fora do ambiente escolar.

12. Níveis de ensino
A educação vai tornar-se mais individualizada, abandonado significativamente a estrutura dos níveis de ensino tal como os conhecemos hoje. Os alunos serão associados por interesses, seguindo cada um uma aprendizagem especializada. (ver ponto 5)

13. Escolas e professores “atecnológicos”
Escolas e professores que não utilizem as tecnologias estarão condenados ao fracasso. As primeiras a fechar. Os segundos a mudar de profissão.

14. Normas Curriculares
As normas curriculares actuais integram enormes bloqueios à diferenciação da aprendizagem, imagem de marca da educação do futuro. A raiz da mudança curricular será as escolas do ensino básico como fornecedoras de conteúdos fundamentais e as dos níveis superiores com a oferta de aprendizagens especializadas.

15. Reuniões de pais e professores à noite
As ferramentas já hoje disponíveis para comunicação virtual tornarão as reuniões “físicas” uma raridade. De uma forma ou de outra, os pais vão obrigar a escola a utilizar a tecnologia para comunicar. Não vá. Ligue-se.