A escola daqui a 5 anos, segundo a IBM

A IBM receou as suas tradicionais previsões para os próximos 5 anos, em que alguns dos seus investigadores explicam a sua visão e o modo de como é que a tecnologia mudará as nossas vidas no futuro próximo. Certo é que, examinando o que pensam os especialistas do gigante informático, algumas parecem-nos óbvias e lógicas, mas contêm, apesar disso, pontos interessantes que podem ter um grande impacto em muitos aspectos da nossa sociedade, como a educação, comércio e, inclusive, na organização das cidades.
Curiosamente, ou não, essas previsões não falam nada sobre os drones da Amazon, os robots ou os veículos autopilotados da Google.

Ibm education

O aspecto assinalado em primeiro lugar pelos investigadores tem a ver com a educação. Assim, segundo eles, a escola do futuro vai debruçar-se sobre cada aluno individualmente.
Numa tendência que já hoje se sente e ganha terreno de ano para ano, dentro de cinco anos o ensino será cada vez mais personalizado. Os sistemas cognitivos (entendidos aqui como uma categoria de tecnologias que usam o processamento da linguagem natural e a aprendizagem com máquinas de forma que as pessoas e as máquinas possam interagir de forma mais natural aumentando as suas capacidades para adquirir mais e melhor conhecimento) serão decisivos nas decisões de apoio que os professores serão chamados a dar ala seus alunos. Já não numa relação unidirecional de um professor para muitos alunos, mas mais num “tête-a-tête” que terá como já não o grupo mas a pessoa através de um ensino individualizado.

Sala de aula inteligente

A rápida digitalização da indústria da educação e o surgimento dos sistemas cognitivos são dois factores que já estão a acontecer em paralelo. Ao longo dos próximo 5 anos, estes dois conceitos vão trabalhar cada vez mais em conjunto, ligando-se, levando à criação de salas de aula personalizadas que vão motivar e envolver os alunos, em todos os níveis de ensino, desde o pré-escolar à universidade.
São muitas e variadas as ferramentas, grande parte delas que já hoje fazem parte das nossas vidas, que se tornarão instrumentos vitais na nova educação.

Os cursos massivos abertos (MOOCs) tornaram e tornam os conteúdos educacionais disponíveis a qualquer pessoa com uma ligação à internet. Os seus editores vão ser também capazes de tornar os conteúdos mais envolventes e adaptáveis à realidade das salas de aula, ao mesmo tempo que os dispositivos móveis serão utilizados para aprender a qualquer hora em qualquer lugar. Do medo modo, os professores serão capazes de, através da aplicação de sistema cognitivos, compreender como é que os seus alunos estudam e aprendem e desenvolver planos que vão ao encontro da sua realidade.

Fonte: IBM

Personalized Learning: 5 Future Technology Predictions from IBM

Estado vegetativo

O professor TIC vai assumir o estado vegetativo. Algo que já acontece há algum tempo.

Suspeito que nem umas férias de descanso absoluto serão capazes de alterar este estado comatoso.

por do sol
Foto: http://www.sxc.hu/browse.phtml?f=download&id=1421180

Pelo meio não deixa de balançar-se na contradição.

O professor TIC reflete os estados dos países onde é mais visitado.

Em Portugal,a depressão é absoluta. No Brasil, a revolta nada no ar.

É assim a vida.

Boas férias!

A gente vê-se por aí.

Ensinar e aprender com as TIC

Canaltic.com é um blogue espanhol dentro do espírito do que é o “professortic.ml“. Da autoria do professor Fernando Posada Prieto, o blogue mostra, publica e divulga com regularidade ideias, sugestões e reflexões sobre as TIC em contexto educativo.
Com a devida autorização do autor do blogue, traduzi e adaptei um interessante trabalho intitulado “Enseñar y aprender con las TIC“. São pouco mais de 80 slides que, de forma esquemática, sucinta e objetiva, nos levam numa viagem sobre o tema.

Esta apresentação pretende expor as tendências e experiências das TIC na atualidade. Partindo de uma breve análise do contexto académico propõe-se caminhar sobre as ferramentas e propostas de trabalho mais utilizadas. Tendo em conta um panorama tão vasto, denso e variado, sugerem-se algumas conclusões finais potencialmente úteis para a prática docente quotidiana.

http://www.professortic.ml/wp-content/uploads/2013/05/Uso_das_TIC_no_Ensino.pdf



Ligação: Canaltic.com

Os professores são bons

Educational Technology and Mobile Learning é um blogue de divulgação de recursos educativos que vale a pena seguir com atenção. Recentemente, publicou um infografia onde resume, de forma atrativa, as qualidades que um professor deve ter, tendo como inspiração trabalho original de Mia MacMeekin. Esta professora, identificou 27 pontos que definem o que um professor faz de bom, num trabalho a que chamou, também em tradução livre, “Os professores são bons”.
As duas infografias que reproduzimos, na sua versão inglesa, são uma homenagem e também pontos de reflexão para o papel do professor nos dia de hoje em que os espectros da depressão parecem pairar sobre as cabeças de quem tem como missão educar. Levante-se o ânimo. Os professores são bons. Valorizemos tudo o que fazem de bom e de bem.

Os professores são bons

Ligações: Teachers are Good


O professor do século XXI

Ligação: The 25 characteristics of a 21st century teacher

“Usar a tecnologia” ou “integrar a tecnologia”?

Usar ou integrar a tecnologia na prática doente é uma algo de tão potencialmente relevante como a velha questão de Shakespeare: “be or not to be”. Na verdade, a impressão que temos é a de que, apesar de se falar muito em integração da tecnologia, o que está a acontecer nas nossas escolas é apenas e simplesmente a utilização da tecnologia. Não, não é apenas uma questão semântica. Há uma grande diferença entre estes dois conceitos com impactos distintos consoante se utilize a tecnologia ou se opte pela sua integração nas práticas letivas.
Em última análise, e antes de verificarmos alguns pontos de diferenciação, coloquemos a questão nestes termos. Uma coisa é uma casa tecnológica outra é uma onde se utiliza a tecnologia. Apesar de todos já utilizarmos alguma tecnologia nas nossas casas, isso não faz das mesmas uma “casa inteligente”.

Recorrendo a algumas sugestões encontradas na web e a uma reflexão pessoal, elaborei o quadro que se segue assinalando as principais diferenças entre uma prática que utiliza a tecnologia e outra que a integra. Se é claro que , pelas mais diversas circunstâncias, não é fácil criar as condiçoes necessárias para potenciar a integração das tecnologias no processo de ensino-aprendizagem, torna-se evidente que há que, rapidamente, passar da fase utilitária e dar o salto para a integração.

Com o mundo a acelerar, não é já uma necessidade. É uma exigência. Quem não o fizer, ficará, com toda a certeza, para trás.

 

A utilização da tecnologia

A integração tecnológica

A utilização da tecnologia é aleatória, arbitrária e muitas vezes funciona apenas como um complemento. O uso da tecnologia é propositado e intencional.
A tecnologia rara ou esporadicamente é utilizada na sala de aula.  A tecnologia faz parte da rotina do processo de ensino-aprendizagem.
A tecnologia é usada apenas para se dizer que se está a usá-la. A tecnologia é utilizada como suporte dos objetivos curriculares e de aprendizagem.
A tecnologia é usada para instruir os alunos sobre o conteúdo. A tecnologia é usada para envolver os alunos com o conteúdo.
A tecnologia é mais usada pelos professores. A tecnologia é mais utilizada pelos alunos.
A única preocupação é utilizar a tecnologia. O seu uso visa criar e desenvolver novas capacidades.
Muito tempo é perdido a ensinar como é que se deve utilizar a tecnologia. O tempo é gasto a utilizar a tecnologia para aprender.
A tecnologia é utilizada para completar as tarefas de menor exigência intelectual. A tecnologia é usada para incentivar o desenvolvimento intelectual.
A tecnologia é utilizada em tarefas individuais. A tecnologia é utilizada para facilitar a partilha e colaboração do trabalho dentro e fora da sala de aula.
A tecnologia é usada para facilitar atividades cuja resolução seria mais difícil sem ela. A tecnologia é utilizada para resolver problemas que de outra forma seriam difíceis ou impossíveis de resolver.
A tecnologia é usada para fornecer informações. A tecnologia é usada para aumentar e construir conhecimento.
A tecnologia é marginal à aprendizagem. A tecnologia é essencial no processo de aprendizagem.


A aplicação do modelo TPACK no ensino

Integrar recursos e ferramentas TIC no processo de ensino e aprendizagem não é tarefa fácil. Por isso,é necessário que os professores estudem bem a sua realidade e adoptem um modelo de integração.
O Conhecimento Tecnológico Pedagógico de Conteúdo TPACK (sigla em inglês para Technological Pedagogical Content Knowledge) é uma metodologia para entender e descrever os tipos de conhecimentos necessários a um professor para a prática pedagógica efetiva em ambientes de aprendizagem equipados com tecnologia.
O conceito de conhecimento pedagógico (PCK) foi descrito pela primeira vez por Lee Shulman (1986) e a metodologia TPACK foi elaborada a partir dessas ideias centrais, com a inclusão da tecnologia.

TPACK pt BR

A metodologia TPACK argumenta que uma integração efetiva da tecnologia no processo de ensino aprendizagem requer entendimento e negociação entre Tecnologia, Pedagogia e Conteúdo.
O professor que for capaz de abordar estes componentes de uma forma integrada, conseguirá uma visão mais ampla do que o conhecimento de um especialista de uma disciplina (por exemplo, um cientista, um músico ou um sociólogo), um especialista de tecnologia (um cientista de computação) ou um especialista em ensino/pedagogia (um educador experiente).
Esta metodologia TPACK salienta as complexas relações que existem entre o conhecimento das áreas de conteúdo, pedagogia e tecnologia e pode ser uma estrutura organizacional útil para definir o que os professores precisam saber para integrar a tecnologia nas suas práticas de maneira efetiva.
Tratando-se de um quadro exigente, esta metodologia está, no entanto, a tornar-se mais popular com um método de organização para programas de desenvolvimento profissional, tecnológico e educacional para professores.

No vídeo que se segue (com subtítulos em espanhol) Judi Harris (College William and Mary, Virginia) resume os princípios fundamentais da metodologia TPACK.

O porquê do sucesso educativo finlandês

Quando se quer falar de sucesso, olha-se para norte. Para o norte da Europa, para os países escandinavos, mais propriamente, em especial para a Finlândia. Todavia, muitas vezes falamos de cor.
O quadro que se segue, compara o modelo finlandês com o que se passa nos Estados Unidos e no Canadá, mas as ilações são óbvias.
E como uma imagem diz mais do que mil palavras, não há como olhar com atenção a infografia e perceber as razões para além do óbvio. Continuar a ler “O porquê do sucesso educativo finlandês”

A Educação nos EUA e no mundo

Qual a relação entre o investimento em educação e os seus resultados?
Não há fórmulas mágicas, no entanto, o quadro que a seguir reproduzimos, poderá ajudar-nos a ficar com algumas ideias para saber o que se faz pelo mundo. A infografia revela vários dados nessa relação de dependências variáveis que poderão dar algumas pistas, à considerção de cada um.
São comparados 12 países, mostrando o que cada um gasta em educação, quanto cada um gasta em cada criança ou educando, e alguns resultados desse investimento.
Como é facilmente verificável, não é linear a relação entre investimento e resultado final. Muito há que fazer, tanto nos países que mais investem, como naqueles que têm menos recursos.
Vale sempre a pena dar uma espreitadela.
U.S. Education versus the World via Master of Arts in Teaching at USC
Via: MAT@USC | Master’s of Arts in Teaching

Educação: 12 questões para o século XXI

Os conceitos de aldeia global e de um mundo plano já não são princípios arcanos nem metáforas saídas da cabeças de estudiosos e académicos. O aquecimento global deixou também de ser uma questão ideológica a marcar qualquer agenda política. Estas questões são tão atuais como a segurança das nossas escolas ou a pobreza que afeta milhões de crianças em todo o mundo.
Perante estes desafios, qual o papel dos professores, ou melhor, que atitude devem ter os professores para enfrentar os seus desafios com renovado sentido, determinação e esperança? E, acima de tudo, como o fazer na convicção de que somos todos cidadãos deste mundo superlotado que requer de todos nós, sem exceção, solidariedade, empenho, compreensão e entrega?
David Penberg é um conhecido professor e consultor educativo de diversas organizações internacionais, que coloca 12 perguntas que são, ao mesmo tempo, desafios a quem faz da profissão docente o seu destino.
Com algumas adaptações mas mantendo o espírito original, refiz as suas questões que coloco à consideração dos seguidores deste blogue.

  1. Como podemos cultivar uma mentalidade global na juventude? E por que deveríamos fazê-lo?

  2. Como aproveitar otimamente o imenso potencial da internet e o poder das redes sociais? Como podem estas ferramentas servir o nosso propósito de conexão, saltando por cima de limites e fronteiras, e contribuindo para um mundo mais seguro, são e justo?

  3. Como motivar professores e professoras a porem-se em marcha, a internacionalizar as suas aulas, programações didáticas e práticas docentes?

  4. Porque é que a educaçãoo se converteu na pedra angular da vida democrática?

  5. Quando fizeste uma pausa para refletir sobre os teus preconceitos, suposições ou posições parciais?

  6. Como assegurar que os programas escolares e extra-escolares se ajustam ao dinamismo exigido pela nova conjuntura nacional e internacional, mantendo os jovens ligados ao mundo?

  7. Qual é o nosso motivo pessoal para trabalhar na melhoria e ampliação das perspectivas do aluno, a sua capacidade de recuperação, curiosidade, imaginação, criatividade e trabalho em equipa?

  8. Como aproveitar o talento pessoal de cada aluno, potenciando as suas capacidades?

  9. Por que é urgente tornar a educação relevante e significativa como uma forma de transformar vidas e não como meio de estupidificar-nos?

  10. Como enfrentar positivamente, cada dia, cada passo e cada inovação nas aulas, renovando, desafiando, estimulando…?

  11. Como nos podemos afastar da resposta certa para a capacidade de gerar questões profundas, questionando o status quo, aderindo a um sistema que estimule o desejo insaciável de aprender mais, sempre e cada vez mais?

  12. Como tornar-se poliglota na educação e ensino? Como manipular múltiplas práticas para desenvolver ao máximo o potencial e as inteligências múltiplas dos estudantes?

David Penberg salienta que não há respostas certas a nenhuma destas questões. Há, isso sim, convites para reexaminar tudo. Uma questão de cada vez.